Bancada feminina da Alerj promove ato contra o assédio

A bancada feminina da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) realizou, durante a sessão desta quinta-feira (06/04), um ato contra o assédio a mulheres. No início e no final da sessão, as dez deputadas exibiram cartazes que diziam “Mexeu com uma, mexeu com a bancada feminina da Alerj #chegadeassedio”. Segundo as parlamentares, a manifestação foi motivada pelo recente caso envolvendo o ator José Mayer, que assediou a figurinista Su Tonani, e, após ser denunciado por ela, confessou a atitude.

Presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, a deputada Enfermeira Rejane (PCdoB) afirmou que será marcada uma audiência pública para tratar do tema e que o ator e a figurinista serão chamados. “É um caminho para avançarmos nas propostas para que isso não volte a acontecer. Porque o que acontece com as mulheres ainda é muito invisível. Vamos também aprovar uma moção de repúdio ao José Mayer e uma moção de aplauso à figurinista e ao blog que teve a sensibilidade de publicar a denúncia. Para a mulher falar, tem que ter coragem. É preciso apoio. O ato é para dar esse tipo de apoio”, disse a deputada.

A deputada Zeidan (PT) também destacou que as parlamentares fluminenses estão unidas para que a sociedade tenha um olhar crítico a favor da mulher. “A mulher de todas as classes sociais sofre assédio, preconceito no mercado de trabalho, na política, só por seu gênero”, afirmou.

Já a deputada Cidinha Campos (PDT) elogiou a ação, mas criticou a postura de alguns parlamentares que, segundo ela, deixaram de prestar solidariedade quando outro deputado a ofendeu durante uma reunião, em 2014. “Eu acho que as mulheres precisam e merecem uma proteção. Que esse exemplo da Globo sirva para um aprendizado nesta Casa também. Assédio não é só o sexual. O assédio moral é tão nocivo quanto, ou muito pior”, afirmou.

Visibilidade
Em 2015, a deputada Martha Rocha (PDT) presidiu a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) voltada para a violência contra a mulher. “O assédio destacado do ator José Mayer é a ponta do iceberg que dá visibilidade a essa forma de violência. Não é aquela que deixa marca no corpo, mas deixa marca na alma. Quando você estabelece relações de trabalho, seu compromisso é exercer bem sua função, e não ser submetida a favores sexuais para manter seu trabalho ou ter reconhecimento”, avaliou a deputada.

Tia Ju (PRB) defende que para erradicar o machismo é preciso ter coragem para tomar atitudes que dêem um basta nesses casos. “O que fizermos hoje, contra o assédio, vai resguardar as meninas e mulheres das futuras gerações.” Márcia Jeovani (DEM) ressaltou a importância da união na luta por respeito. “É muito importante que nós, mulheres, estejamos sempre juntas contra o assédio sexual e qualquer tipo de abuso”, disse.

Fonte: Alerj.